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24 de junho de 2026

Ecocardiograma fetal: o que é e quando eu indico esse exame na gravidez

No Brasil, o ecocardiograma fetal já é exame de rotina para todas as gestantes a partir das 24 semanas. Entenda como funciona, quando é feito e por que o próprio médico realiza e interpreta o exame em tempo real.

Durante o pré-natal, muitas famílias ouvem falar do "ecocardiograma fetal" pela primeira vez quando o obstetra menciona alguma dúvida sobre o coração do bebê em um ultrassom de rotina. Eu sei que esse momento costuma gerar bastante ansiedade — e é exatamente por isso que gosto de explicar, com calma, o que é esse exame e o que ele realmente significa.

O que é o ecocardiograma fetal

É um ultrassom detalhado, feito ainda durante a gestação, dedicado exclusivamente ao coração do bebê. Usando ondas sonoras, eu consigo gerar imagens em movimento que mostram a estrutura e o funcionamento do coração antes mesmo do nascimento.

Quando eu indico esse exame

Hoje, no Brasil, o ecocardiograma fetal faz parte da rotina do pré-natal de todas as gestantes, e não apenas das que têm algum fator de risco. Essa é a orientação do Ministério da Saúde, que incluiu o exame no protocolo de assistência pré-natal do SUS (Lei 14.598/2023): eu peço o exame a partir da 24ª semana de gestação, que é o momento em que consigo visualizar com mais clareza as estruturas do coração do bebê.

Mesmo assim, existem situações que me levam a antecipar o exame, ou a repeti-lo com mais atenção ao longo da gravidez. Entre elas estão:

  • pai, mãe ou um filho anterior com doença cardíaca congênita;
  • histórico familiar de síndromes genéticas associadas a alterações do coração;
  • diagnóstico de alguma condição genética no bebê, como síndrome de Down;
  • uso de determinados medicamentos, álcool ou outras substâncias durante a gestação;
  • condições de saúde da mãe, como diabetes ou lúpus;
  • infecções durante a gravidez, como rubéola;
  • um ultrassom de rotina que sugeriu alguma alteração no coração do bebê;
  • alterações no ritmo ou na frequência cardíaca do bebê percebidas em exames anteriores;
  • gestações obtidas por fertilização in vitro ou outras técnicas de reprodução assistida.

Ou seja: mesmo que a sua gravidez não tenha nenhum desses fatores, vale conversar com seu obstetra sobre fazer o ecocardiograma fetal de rotina a partir das 24 semanas.

Como eu faço o exame e quando ele costuma acontecer

  • Ultrassom abdominal, a forma mais comum: aplico um gel na barriga da gestante e passo o transdutor sobre a pele para capturar as imagens do coração do bebê em tempo real. É indolor e seguro, e costumo levar entre 30 minutos e uma hora, dependendo do nível de detalhe que a situação exige.

Não peço nenhum preparo especial, e a gestante não precisa estar com a bexiga cheia.

E se o resultado mostrar alguma alteração?

Se o exame for normal, eu costumo tranquilizar a família e a gestação segue com o acompanhamento de pré-natal de rotina — mas é importante que vocês saibam que, mesmo com um resultado normal, nem todo problema cardíaco pode ser descartado, já que a circulação do bebê dentro do útero é diferente da circulação após o nascimento, e algumas alterações pequenas são difíceis de visualizar.

Se eu encontrar alguma alteração na formação ou no funcionamento do coração, ou algum problema de ritmo cardíaco, explico com calma o que isso significa e quais são os próximos passos. Dependendo do caso, posso pedir exames complementares, e costumo já articular o acompanhamento conjunto com obstetra, neonatologista e geneticista.

Minha mensagem para os pais

Eu sei que receber a indicação de um ecocardiograma fetal pode gerar muita ansiedade, mas gosto de lembrar às famílias que esse exame existe justamente para que, se houver algum problema, possamos nos preparar com antecedência — muitas vezes planejando o parto em um hospital com toda a estrutura necessária para cuidar do bebê desde o nascimento. Na maioria das vezes, contudo, é com alívio que confirmo que o coração do bebê está se formando normalmente.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação do seu obstetra ou cardiologista pediátrico.

Dr Lucas Naufel. CRM-SP: 176.437 RQE 85.131

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